Camisetas Ofensivas ou Um Estudo Sobre a Falta de Atenção

 

Eu certamente não me lembro o que me levou a esta conclusão (provavelmente foi algum filme ou livro), mas ainda nos primeiros anos de faculdade, concluí que a maioria das pessoas não notaria se eu passasse a dizer “O prazer é todo seu”, em vez do costumeiro “O prazer é todo meu”.

Além do som das duas frases ser totalmente semelhante, as pessoas estão tão acostumadas a ouvir esta frase que facilmente ignorariam minha alteração debochada. Passei a dizer isso com certa frequência e realmente ninguém nota.

Anos mais tarde li que nosso querido cérebro é responsável por não apenas um bom número de ilusões de ótica, como por uma série de compreensões erradas da realidade, já que tente a “completar” aquilo que nossos sentidos captam com informações que já constam em nossa memória.

Isso me fez concluir que, seguramente, metade dos serviços de atendimento ao cliente poderia alterar a frase de sempre para “A sua ligação é muito importante para você” sem maiores problemas.

Minha impressão, ao longo desses anos, é que quanto mais uma pessoa está focada em ouvir a parte que lhe interessa de um assunto, mas tranquilamente tu pode dizer um monte de barbaridades para ela sem que ela note.

As camisetas do início do post são um exercício sobre esse assunto. Tenho certeza que passariam desapercebidas por um grande número de afegãos médios. Não apenas a alteração na mensagem é bastante discreta (embora, obviamente, mude totalmente o sentido da coisa), como a arte segue o padrão também conhecido e esperado para camisetas com esse tipo de mensagem.

E hoje, dia 7 de janeiro de 2015…

…completam dez anos e dois dias que publiquei meu primeiro post em meu primeiro blog. Era uma daquelas belezas do blogspot, que felizmente depois de alguns anos pode ser deixado de lado para se poder aproveitar o que o wordpress proporciona.

Dando uma relida nesses dez anos de blog pude chegar a algumas conclusões bastante interessantes (umas boas, outras ruins):

  • Eu não escrevi absolutamente nenhum post em 2014. É provável que isso seja culpa do Facebook. O que é apenas mais uma coisa ruim para se adicionar à lista infinita de coisas ruins que o Facebook proporciona à sociedade atual;
  • Eu era um completo sem noção no meu primeiro blog. Totalmente sem filtro e sem freio. Na época não existia Facebook, e como redes sociais não eram a esperança de conseguir milhões de clientes de tudo quanto é empresa, nossos chefes não liam nossos blogs, e nossos empregos estavam a salvo, apesar de todas as monstruosidades que éramos capazes de escrever;
  • Eu fui piorando com o tempo. Sei que meus posts eram completamente sem noção no início, mas acho que fui ficando preguiçoso com o tempo e os posts se tornaram mais curtos e muito menos divertidos de se ler;
  • Em algum momento passei a me importar com a possibilidade de as pessoas não terem mais paciência para ler posts em blog já que existe o facebook. Isso claramente não tem a menor importância;
  • Em algum momento passei a medir as palavras. Isso não apenas é completamente trabalhoso como absurdamente sem graça. Provavelmente é o que fez a quantidade de posts diminuir furiosamente;
  • O tema que eu estava usando era uma merda. Mudei pro Twenty Fifteen que veio com a WordPress 4.0. As featured images dos posts cagaram todo o layout, então eu tive que remover todas elas, de todos os posts. Uma por uma é um saco, mas existe um jeito bem mais fácil aqui (é o último código que aparece na página);
  • Descobri que meu primeiro blog está registrado em um email que eu tinha no Superig e que não vou ter como recuperar a senha;
  • Senti saudades de muitos amigos relendo os posts;

Acho que para que eu volte a me divertir com isso aqui, vai ser necessário desligar o filtro. Porém, é preciso considerar que nos últimos anos todo mundo ficou muito mimimi. A humanidade jamais esteve tão cagalhona e recalcada. Todos os assuntos se tornam uma batalha, todo mundo se ofende com tudo, e a graça da coisa simplesmente morre fácil.

Então, já que tanta gente assim não sabe brincar, vai ter coisa que eu vou bloquear. Vou passar a liberar que se assine o blog, vou criar níveis de usuário, e peneirar o conteúdo de acordo com o nível dos usuários.

Assim deixo os cagalhões de foda. Quem não gostar, que se foda (neste exato momento, após o corretor ortográfico que não sei se é do Safari ou do WordPress transformar “foda” em “toda“, eu acabo de ter o prazer de clicar no botão direito do mouse – sim, o mouse do mac tem botão direito – e selecionar “learn spelling” Agora tudo está bem.)

Isso vai me obrigar a instalar alguns plugins, mas nada sofrido.

Ainda estou decidindo se entre duas mecânicas:

  1. Posto o conteúdo sem freio ou filtro e vejo o que acontece. Dependendo do nível de mimimi eu torno o conteúdo privado;
  2. Eu já posto privado para aqueles que não são malas.

De qualquer forma, está dado o início oficial de um 2015 com muito mais diversão por aqui.

Vamos nessa!

Breve sessão de tortura (conto)

A sala era quente, mal iluminada e fedia. No momento, além do insalubre ecossistema usual, era frequentada por mais quatro indivíduos, sendo todos eles homens de índole questionável, mas estando apenas um deles em menor número.

Ele estava amarrado, amassado e arrependido. Claro que, como qualquer pilantra, arrependido de ter sido pego e não de ter feito a merda. Era magro, feio, barba falha e cabelo ralo no topo da cabeça. Se vestia pouco melhor que o Wally, mas aparentemente era bem mais fácil de ser encontrado, considerando a situação em que estava.

Os outros três estavam em silêncio já havia algum tempo. Um deles também estava sentado. Desfrutava, sobre o primeiro, da considerável vantagem de não estar amarrado e sangrando. Tinha a cara gorda e brutal, e era dono de todo o dinheiro que o Wally amarrado não tinha como pagar. Em pé, ao lado do gordão, estava uma coleção de músculos provavelmente animada através de algum ritual macabro. Havia sido esse brutamontes que deixara a cara do Wally combinando com a camiseta vermelha. Não dissera uma palavra, simplesmente batera com suas gigantescas e sólidas patas na cara do magrela, sem nem mesmo ameaçá-lo.

Mas, normalmente, quem está apanhando, sabe qual é a razão,  e isso costuma tornar as palavras um tanto dispensáveis.

O terceiro cara era tão adequado ao ambiente quanto o Xicão Tofani em um programa de comentaristas esportivos. Parecia uma enorme criança de três anos, perturbadoramente proporcional. Era cabeça de um bebê em alguém de um metro e setenta e quatro de altura, com os ombros pequenos e a barriga com aquele arredondado infantil. Mas não chorava, ria ou balbuciava sílabas cobertas de baba. Apenas olhava na direção do Wally como se não conseguisse ter certeza se ele estava ali ou não.

O gordo tomou um longo gole de um fedorento suco de goiaba, enquanto o bebezão se aproximava do Wally.

“Como a impossibilidade de que você me pague é uma irrefutável verdade matemática, e como você já se mostrou um completo imprestável, decidi te dar a chance de servir de cobaia pra uma ideia que meu novo colaborador aqui me apresentou na semana passada” – mais um gole. O cabeça de nenê agora estava mais próximo do Wally. Levou a mão esquerda para trás, para pegar algo no bolso da calça. Era algo enrolado em uma toalha de rosto amarela úmida, que escapou da mão dele e se estatelou no chão, fazendo um som metálico de efeito cicatrizante para o entre-nádegas do Wally.

Os músculos se abaixaram, pegaram o alicate do chão e entregaram pro cabeça de nenê, que o pegou, abriu e fechou a ferramenta testando sua resistência. Olhou Wally nos olhos. “Você consegue manter sua boca mole aberta ou precisaremos mantê-la pra você?”

Embora Wally chorasse, gritasse e babasse, sua boca não ficava aberta o suficiente para que o cabeça de nenê conseguisse trabalhar tranquilamente. Foi necessário que músculos o segurasse para que mantivesse a boca bem aberta. Até porque o cabeça de nenê era mirrado e não tinha muita força. O que fez com que levasse alguns minutos para que, apertando o incisivo do Wally com o alicate, fosse capaz de fazer o dente estourar em pedacinhos.

Entre desmaios, vômitos, choros e retomadas de consciência, foram necessários dois dias e sete pizzas para que o serviço estivesse completo. O cabeça de nenê ria de forma condizente à sua aparência cada vez que, depois de muita pressão, o dente finalmente não aguentava e estourava, como um pedaço de gelo, espalhando estilhaços por toda a sala. Gostava não apenas da sensação de apertar o alicate como do som que fazia o dente ao explodir.

Duas semanas depois, o gordo decidiu que seria mais seguro para todos se o cara de bebê fosse arremessado de sua cobertura no centro. Na queda, o corpo estragou irreversivelmente um carrinho de pipocas e um falso cedo vendedor de raspadinha.

foguinho.com.br – não foi dessa vez

Acabei não conseguindo postar sobre isso antes, mas no dia 2 de agosto de 2011, o pessoal do jurídico do registro.br me mandou um e-mail dizendo que meu pedido de registro do domínio foguinho.com.br foi indeferido. Pelo que pude constatar, nem eu nem qualquer outra pessoa que estivesse brigando por ele também ganhou o direito de registrá-lo. Embora eu entenda e respeite a posição do registro.br, na minha opinião a lei vigente é antiquada e pouco adequada à realidade da internet. Atrelar o direito de registro de domínio a um nome de empresa registrada é plausível, mas certamente está longe de cobrir todas as situações em que mais de uma pessoa pode querer registrar um domínio.

De qualquer forma, já tenho a data do próximo processo de liberação e tentarei novamente. Valeu a todos que mandaram e-mail pros caras. Na próxima eu peço ajuda de novo!

Mais considerações sobre por que eu mereço o foguinho.com.br

Pois bem, estava eu tendo algumas idéias subversivas quando resolvi fazer uma consulta ao registro.br em relação a um domínio. Vejam que resultado mais interessante:

Pois então, se o PSDB pode ser oposição.org.br eu tenho mais do que direito de ser foguinho.com.br, concordam?

Então voltem ao post anterior e sigam na minha campanha!

Vote em mim para Foguinho!

Daí então: no início deste mês entrou em processo de liberação o domínio foguinho.com.br que, obviamente, se estivesse disponível quando eu registrei este aqui (foguinho.net) eu já teria registrado.

Na época, o domínio era utilizado por uma distribuidora de gás, mas no final do ano passado eles não renovaram o registro e o domínio entrou em processo de liberação agora em junho.

Além de mim, mais alguém entrou na disputa. Considerando que eu não perdi automaticamente a chance do registro, acredito que quem esteja disputando seja apenas alguém que gostaria de ter o domínio por ser chamado assim por um número de pessoas muito menor, muito menos legal e muito menos relevante do que aquelas que me chamam de Foguinho.

Assim, peço a ajuda de vocês para que eu seja escolhido pelo registro.br e possa ter o registro do foguinho.com.br, que certamente todos vocês concordam que deveria ser meu. Para isso, peço que enviem e-mails para juridico@registro.br, dizendo o seguinte:

“Marcus Vinícius Souza de Azevedo é o Foguinho e vice-versa. Ele merece o registro do foguinho.com.br!”

Como não existe previsão de termos de disputa de pessoas sem registro de marca em relação a domínio, conto com o apoio e o endosso de vocês para que eles possam julgar com embasamento.

Valeu!

Infográfico Fundamental #1

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