Anti-Justine – Restif de La Bretonne

Li este livro na semana do ano novo. Logo que terminei de lê-lo, eu pensei em escrever sobre ele. Acabei esquecendo e perdido entre os caóticos afazeres da propaganda (na faculdade nos ensinam mais ou menos o que faremos na profissão e ainda não nos contam que teremos que fazer tudo ao mesmo tempo). Depois, já de volta ao trabalho, uma conversa com a Taíse, o Menzes e a Taina – sobre a terrível utilização se breguíssimos termos para substituir os nomes originais das partes íntimas dos seres humanos – me lembrou novamente de escrever sobre o livro.

Finalmente hoje, antes de começar a escrever este post, resolvi ainda dar uma olhada em outras resenhas do livro para ver qual a opinião das outras pessoas sobre ele, e acabei lendo a de uma mulher que tem a opinião exatamente contrária à minha. Vamos então ao livro.

Anti-Justine se propõe a ser um livro sobre os prazeres do amor (mais propriamente dito, do sexo). Se propõe a se opor ao Justine, onde a dor impera. O autor enterra o leitor em uma avalanche de trepadas sem quase nenhum intervalo entre elas. Entendendo que nenhum homem jamais quis deliciar os lábios nas suaves pétalas da flor de alguma mulher, ele esbanja paus, bucetas, cus e todos os outros nomes chulos possíveis. Ele dá nome aos bois sem medo. Ainda usa termos mais arcaicos mas perfeitamente entendíveis para descrever orgasmos. O cara praticamente é um entusiasta do pornô sem história.

Ele tem cenas de suruba, tortura, morte, bondage e muito, muito incesto. Eu, pessoalmente, gosto da maneira que ele dá nome aos bois. Uma coisa é tu romantizar uma trepada que ocorre no meio de um romance, outra coisa é escrever um  livro erótico “tocando o sexo” de alguém. Isso é broxante. Puritanos que se fodam, o livro é definitivamente uma boa putaria.

Não aconselho que seja lido em igrejas, ônibus, ambiente de trabalho, velórios, frentes de colégios e lugares com pessoas demais.  Não apenas porque a capa (mais uma das ótimas capas das novas edições dos livros de bolso da L&PM) é já bem sugestiva, mas porque qualquer pessoa com hormônios e falta de vergonha suficientes terá efeitos colaterais não saciáveis nestes ambientes. Pelo menos não sem voz de prisão.

Ela e Outras Mulheres – Rubem Fonseca

Quem não conhece o bom, velho e podre Rubem Fonseca, mas já leu mais de três livros do Paulo Coelho, por favor caminhe até a frente do espelho, depois de dar com a cabeça nele até quebrá-lo em pedaços, pegue algum dos cacos maiores e mais afiados e corte os pulsos.

O primeiro livro que eu li do Rubem Fonseca foi Feliz Ano Novo. Uma caralhada de contos em que no conto título, um bando de assaltantes tem a genial discussão sobre a possibilidade de grudar uma pessoa na parede com um tiro de doze. Agradeço até hoje à minha professora de português do segundo semestre do equivocadíssimo curso de publicidade e propaganda por ter nos feito ler o livro.

Depois disso li Romance Negro, Lucia McCartney, Agosto, Memórias de um Fescenino e A Grande Arte. Felizmente, conferinto os títulos para escrever este post, vejo que ainda tenho váááááários livros dele para ler.  Mas deixarei da costumeira enrolação e falarei finalmente do livro.

Ela e Outras Mulheres é um grupo de contos que tem a mulher como tema. Cada um dos contos, organizados em ordem alfabética, tem o nome de uma mulher, tendo ela importâncias variadas em cada uma das pequenas histórias. O livro é bom, a narrativa prende, e dá pra ler facilmente em uma tarde. O que é divertidíssimo mas irritante, quando ele acaba e se quer mais.

A impressão que tenho é que a cada livro que leio dele me torno mais tosco. Uma das melhores coisas do Rubem Fonseca é a maneira sem vasilina de dizer as coisas. Além disso, ele consegue fazer com que personagens de classes super baixas, totalmente sem instrução, não sejam o favelado clichê insuportável de sempre. Ele sabe achar o interessante de cada situação, sempre surpreendendo.

Além disso, no meio da livrarada de auto-ajudo e de todos os 183 títulos resultantes da porcaria do código DaVinci, a capa verde e preta do livro se destaca, chamando a atenção e deixando quem sabe o que é bom pra ler feliz por ver que o cara lançou um livro novo.

100 Escovadas Antes de Dormir

Filme com o mesmo nome de um livro um tanto polêmico lançado no mesmo ano em que os Superphones foram tocar com os Blemish em São Paulo, o qual eu obviamente não me lembro qual foi. O livro era interessante. As descrições que a menina fazia das putarias que ela protagonizava eram bem legais, principalmente porque se dizia tratar de uma história real (termo proveniente do esquecimento da palavra “estória” da nossa língua. Afinal, se ela ainda fosse utilizada, quando é real é história, e se não é, é estória. Mas a academia brasileira te letras tem atée o sarney, que pior do que governando, só escrevendo).

O diretor e o roteirista, que não me dei o trabalho de decorar, cagaram tudo. Estragaram a história, os personagens, acrescentaram uma personagem a mais, tornaram a guria uma cagalhona burra que não sabia o que estava fazendo. O filme é uma das maiores porcarias que inventei de assistir nos últimos tempo. Vou até reler o livro, pra ver se minha memória não me enganou e ele é mais parecido com o filme do que eu acho. Ou pra descobrir que quando li minha percepção estava alterada e o livro é uma merda também.

Carol – Patricia Highsmith

Comprei esse livro junto com um livro da Anaïs Nin cujo nome não me lembro agora. Patrícia Highsmith, a autora, é também a autora de “O Talentoso Ripley”, e como na contracapa da edição para bolsos gigantes da L&PM dizia que ele havia inspirado Nabokov a escrever Lolita, eu resolvi dar uma olhada.

O livro é uma história de amor lésbico um tanto conturbada. Durante a maioria das páginas do livro o leitor se encontra com raiva da protagonista. A protagonista é uma cenógrafa de 19 anos chamada Therese, que mora em Nova York sozinha em um micro apartamento, e que inicialmente namora um mala sem alça de origem russa pelo qual ela não sente praticamente nada. Carol é uma mulher bem mais velha que ela, mãe e que está se divorciando. Elas se conhecem em uma loja de departamentos e a guria de 19 anos se apaixona por ela.

Quando elas saem para viajar juntas de carro é quando descobrimos o que inspirou Nabokov. É mais um guia de viagens pelos EUA. Felizmente, ela descreve muito menos o ambiente do que Nabokov. Mas infelizmente, todas as cenas de interação das duas poderiam ser resumidas a umas quatro ou cinco.

O final do livro, graças a deus, surpreende. E surpreende bem na hora que tu acha que Manoel Carlos encarnou na Patrícia Highsmith. Não contarei o final. Não pouparei ninguém do guia de viagens. Nem de ficar com raiva da cenógrafa. Boa sorte.

Betty Blue

Minha namorada é uma das curiosas pessoas que nasceu depois de 80. Acho que jamais me acostumarei com a idéia de que alguém realmente PODE nascer depois de 80. Mas de qualquer modo, isso permitiu a ela não conhecer a fama desse filme. Ainda assim, ela o viu na locadora e, tomada de invejável preguiça, pegou-o sem nem ler a capa (junto com Tommy e Camille Claudel).  Mas isso simplesmente não importa.

Eu nunca tinha visto esse filme. Quando baixei a trilha sonora, certo de que encontraria a música tema de Bagdad Café, me decepcionei bastante com atrilha. Já o filme é surpreendente. É um filme totalmente doente. A mulher é completamente louca e se fosse eu a vítima de tê-la como amante, a teria jogado pela janela e jogado o sofá logo depois, pulando em cima dela e do sofá descontroladamente até que paresse de ouvir plfffrrrzzzz.

Mas vale a pena ver o filme. Ele surpreende a cada momento, sempre com uma situação ainda mais absurda e doentia. O final me pareceu completamente bizarro, mas eu estava realmente muito bêbado quando acabou. Um filme que vale a pena ver. É muito engraçado mesmo.

Way Opa!

Way Opa é até agora, pelo menos de brincadeira, o nome do próximo CD do Superphones. Esse nome surgiu, pelo que minha escassa memória consegue lembrar, de um erro de digitação do Pedro, em uma conversa comigo no falecido icq. Eu adorei o nome e saí fazendo pilhas de capinhas. Pra mim, como o nome não tinha absolutamente nenhum significado, a gente poderia fazer um encarte que consistia em várias capinhas, pras pessoas escolherem por na frente a que mais gostassem. Infelizmente nós não moramos no acre e jamais ganharemos na mega-sena acumulada, e o custo disso acaba pondo a idéia meio de lado.

Mas, como sempre, não era disso que eu pretendia falar. Hoje começei a manhã ouvindo o segundo dos bounces que o Sérgio fez, do material gravado em Bagé. O primeiro foi de Departure, esse segundo de uma música do Cris que ainda não tem nome. Assim como Departure, essa também me deixou besta. E esses dois bounces são apenas as músicas limpas e cruas. Só recortadas, sem equalização e mais nenhum efeito.

É muito bom ouvir as músicas e ver que estávamos certos de nos enfiarmos em Bagé pra gravar tudo. Deu um trabalhão, mas tá valendo a pena o resultado. Dá vontade de gravar o outro CD inteiro de novo. Certamente isso não vai acontecer.

Sigo aqui no meu momento megalomaníaco, ouvindo essas duas músicas da minha própria banda em repeat. Pelo menos até que o Sérgio nos mande mais uma.

JJ72

Ontem fiquei sabendo que o JJ72 resolveu acabar. Fico sempre triste quando uma banda que eu gosto acaba. Eles certamente, depois de 11 anos de banda, chegaram à triste conclusão de que tinham um bom número de razões para deixarem de existir. Mas isso não torna o fato de acabarem menos ruim.

No início do ano, logo após lançarem seu novo CD, o Grandaddy também anunciou o fim da banda. O mais absurdo é que eles fizeram isso logo depois de lançarem o que provavelmente é o melhor album deles.

Espero que mais nenhuma banda boa anuncie seu fim este ano. Nem no próximo. Eu ficaria muito mais feliz se alguma das inúmeras porcarias de quem somos vítimas aqui no Brasil terminasse. Ou um desses grupos de hip-hop. Se bem que cada vez que um grupo de hip-hop se desmonta, nasce de cada um dos membros mais uma nova porcaria. Melhor que sejam outras bostas.

Bem… pelo menos o JJ72 deixou um bom trabalho, para podermos ouvir e nos revoltarmos que acabou.

V for Vendetta

Demorei tanto tempo me decidindo pra ver este filme que acabei vendo em DVD. Eu achava a idéia legal, e o cenário, mas o herói é muito, mas muito reidículo. Pelo menos à primeira vista.

Superei meu medo de me mijar rindo do herói e tirei o filme pra ver. Felizmente, depois de caracterizado o herói, ele se torna bem menos ridículo. Ele não tirar a máscara o filme todo é uma quebra simples de clichê que faz com que a máscara tenha mais legitimidade.

Talvez eu tenha gostado tanto da história por causa da visão de justiça do herói. É um cara que sabe que a violência pode ser usada para o bem. Uma coisa que infelizmente os brasileiros jamais entenderão. O herói sabe que passear com um cartaz na mão, em certas situações, não serve para absolutamente nada. Então ele resolve da maneira eficaz.

Capaz que eu iria terminar sem comentar sobre a Natalie Portman! Ela está fora de série no filme. Ela deve se sentir muito bem de contracenar com alguém que consegue ter expressão mesmo atrás de uma máscara. Principalmente depois de contracenar com aquele Ricardo Macchi do espaço que era o ator que fez o Anakin. Além disso, ela consegue ser bonita mesmo de cabeça raspada (minha namorada me disse que se ela estivesse pintada de dourado e com a bunda pintada de vermelho, eu ainda a acharia o máximo). Mas, opiniões da Ale a parte, a Natalie Portman é foda, como sempre foi, desde O Profissional.