A Fase da Consciência Inconsciente

Faz uma caralhada de tempo que não escrevo. Durante todos esses dias muitas coisas aconteceram. Ainda assim, não descobri como fui parar atirado no pátio da frente da minha casa com uma sacola com dois pacotes de amendoin na mão. Existem mistérios da minha memória que jamais desvendarei, e sendo assim, me dou o direito de estar cagando e andando para eles.

Ao longo desses dias confesso que cansei da prospecção complexa que comentei em posts anteriores. Embora ela seja realmente bonita e interessante, por mais que eu quisesse acreditar no contrário, ela ainda não me deu nenhuma prova de que eu deva realmente me esforçar em obter seus favores (bah! medieval essa!).

Ao longo desses dias, resgatei um pedaço do passado em forma de belas curvas femininas e descobri que algumas coisas nunca mudam. Relações estranhas serão sempre estranhas, e não existe maneira de mudá-las. Conversa-se, pondera-se e conclui-se que foda-se o futuro. Que aconteça o que der pra acontecer. Até lá, auto-controle para que a traição não seja maior.

Ao longo desses dias, pensamentos interessantes sobre pessoas inesperadas. Boa bebida e boa companhia.

Mas indo além, não vejo como não pensar em minhas longas conversas com o Cris sobre os relacionamentos entre as pessoas e sobre a evolução dos mesmos ao longo da vida. Trocassemos estas palavras por carta e não ao vivo, um dia dariam um bom livro. Foi em conversas com ele que desenvolvemos as teorias do Vandalismo Ortodoxo, do Vandalismo Fundamentalista (do qual sou praticante) e do Vandalismo Esclarecido (do qual ele é praticante. Sendo que a diferença dos dois últimos é a inexistência da ética no primeiro, deixando claro o mais completo desrespeito por relacionamentos do qual o praticante não faça parte. O que todos os vandalismos têm em comum é a clareza dos objetivos e a não utilização da ilusão alheia pra obtenção de seus objetivos, por mais nefastos que sejam.

E foi ponderando sobre as formas do vandalismo e sobre os acontecimentos atuais de minha vida, após um toque de celular falso e o pulo do segundo andar de uma casa, que concluí que (levando em conta também a abdicação da melhor das companhias em prol da felicidade da mesma, por culpa de um inabalável respeito) estou vivendo a fase da Consciência Inconsciente.

Nesta fase faço coisas que eu mesmo não compreendo, por razões que raramente entendo de início. Creio que tal fase seja proveniente do redirecionamento do potencial de dedicação que, anteriormente era direcionado apenas à minha ex-namorada, e que agora é direcionada aos meus amigos. Na Fase da Consciência Inconsciente, a única coisa que importa são os amigos e sua felicidade. Meus amigos são parte integrante da meia-dúzia de coisas que me deixam feliz atualmente.

Conversas. Conversas. Conversas.

Concluí, com certa tristeza, que mesmo eu não tendo mais nenhum sentimento que não carinho e preocupação pela minha ex, provavelmente não sou mais capaz de gostar de ninguém tanto quanto gostei dela. Isso resulta em um misto de decepção e conforto que não sei se eu gosto.

No momento estou terminando de comer um venenoso McDonald`s e logo devo voltar ao trabalho. A noite será longa e chata. Ao voltar para casa, provavelmente consuma algumas gotas do garrafão de vinho que sobrou do Carnarock. Se tiver saco, transcreverei o conto que escrevi a mão lá no sítio. Eu havia sugerido que escrevessemos nas árvores, mas as aranhas e os marimbondos foram contra.

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