Feliz 2007

Na beira da praia de Atlântida Sul, baita ventania, frio pra caralho, depois da virada do ano, cinco da manhã: um caminhão se aproxima dos banheiros ecológicos da beira da praia, dois caras descem e usam mangueiras para sugar a bosta alheia de dentro deles. Como diabos esses caras, sabendo que iriam ter que fazer isso, conseguiram brindar com champagne, ver fogos e, principalmente, comer lentilha enquanto alguém ainda tinha a cara de pau de desejar a eles um Feliz 2007?

Acho que descobri a explicação…

de como diabos a Yeda foi eleita governadora.

Como ela ganhou do Olívio é explicável, mas não faz nenhum sentido ela ter ido pro segundo turno. Ela é arrogante, não é carismática, e está longe de ser levemente admirada pelos gaúchos.

Existem várias teorias sobre como ela foi pro segundo turno. Vou apresentar agora a minha: Yeda se aproveitou de sua semelhança com um personagem muito querido das pessoas para se eleger. Vejam as imagens e pensem sobre isso:

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Obrigado Rita de Cássia Sampaio de Souza

O povo brasileiro é um povo cheio de tradições. Uma das mais incríveis é a de gentilmente passar KY em seu próprio ânus enquanto o governo lhe curra sem dó. Não existe nenhuma filosofia ou teoria de governo que explique um povo continuar completamente apático depois de tudo que esta sucessão absurda de governos ladrões já fez com ele.

Então, para presentear os brasileiros com uma dose final (porém muito merecida depois de reelegerem o Ali-Babá) de desesperança no final do ano, os deputados aumentam seu salário de uma maneira totalmente imoral, cara-de-pau e anti-ética. Como diabos alguém consegue dormir tranqüilo após uma tramóia dessas? Muitos deputados sabem.

Então, quebrando uma tradição de muito tempo, uma mulher resolve agir como um ser humano normal e se revoltar. Rita de Cássia Sampaio de Souza, 45 anos, foi lá e passou a faca no neto do ACM. Foi presa por tentativa de homicídio.

Essa mulher não merece ser presa. Ela merece ter um monumento em sua homenagem. Merece virar símbolo de uma revolta que não tem desculpas para não acontecer. Quem não é punido não tem medo de cometer crimes. Todos esses membros dessa quadrilha deveriam ser esfaqueados, baleados, queimados e vítimas de toda a sorte de maldade que possamos inventar.

Se a justiça não faz sua parte, o povo deve tomar o controle de volta pra si. É um conceito básico de qualquer teoria de governo, e é o que deve ser feito.

Obrigado, Rita de Cássia Sampaio de Souza, por apontar o caminho. Uma pena é que talvez demore tempo demais pra alguém entender o que tu tentaste fazer pelo país.

Ela e Outras Mulheres – Rubem Fonseca

Quem não conhece o bom, velho e podre Rubem Fonseca, mas já leu mais de três livros do Paulo Coelho, por favor caminhe até a frente do espelho, depois de dar com a cabeça nele até quebrá-lo em pedaços, pegue algum dos cacos maiores e mais afiados e corte os pulsos.

O primeiro livro que eu li do Rubem Fonseca foi Feliz Ano Novo. Uma caralhada de contos em que no conto título, um bando de assaltantes tem a genial discussão sobre a possibilidade de grudar uma pessoa na parede com um tiro de doze. Agradeço até hoje à minha professora de português do segundo semestre do equivocadíssimo curso de publicidade e propaganda por ter nos feito ler o livro.

Depois disso li Romance Negro, Lucia McCartney, Agosto, Memórias de um Fescenino e A Grande Arte. Felizmente, conferinto os títulos para escrever este post, vejo que ainda tenho váááááários livros dele para ler.  Mas deixarei da costumeira enrolação e falarei finalmente do livro.

Ela e Outras Mulheres é um grupo de contos que tem a mulher como tema. Cada um dos contos, organizados em ordem alfabética, tem o nome de uma mulher, tendo ela importâncias variadas em cada uma das pequenas histórias. O livro é bom, a narrativa prende, e dá pra ler facilmente em uma tarde. O que é divertidíssimo mas irritante, quando ele acaba e se quer mais.

A impressão que tenho é que a cada livro que leio dele me torno mais tosco. Uma das melhores coisas do Rubem Fonseca é a maneira sem vasilina de dizer as coisas. Além disso, ele consegue fazer com que personagens de classes super baixas, totalmente sem instrução, não sejam o favelado clichê insuportável de sempre. Ele sabe achar o interessante de cada situação, sempre surpreendendo.

Além disso, no meio da livrarada de auto-ajudo e de todos os 183 títulos resultantes da porcaria do código DaVinci, a capa verde e preta do livro se destaca, chamando a atenção e deixando quem sabe o que é bom pra ler feliz por ver que o cara lançou um livro novo.

Roberto Carlos cavando o fundo do poço

Hoje tive o desprazer de ler uma notícia em alguns jornais online que contava que o Rei Roberto fez a platéia pular cantando funk.

Tá, eu não gosto de Roberto Carlos. E eu sei que a cultura brasileira atingiu um estado que pode ser classificado apenas como risível. Mas ainda assim é deprimente saber que a regra no Brasil é sempre nivelar tudo por baixo.

A decadência absoluta da televisão brasileira começou a alguns anos. Seu precursor foi o Ratinho. Seu programa roubou da Globo uma grande fatia de audiência. A Globo, em vez de melhorar a programação, resolveu descer ao mesmo nível. Todos os canais seguiram juntos, e desde de então tudo só piora.

O humor brasileiro está cada vez mais burro e sem qualidade. Os programas são de baixo nível e totalmente sem criatividade. (sim, existem excessões, mas excessões existem pra tudo e essa ladaínha é um saco) Os programas parecem ser feitos em cima de alguma espécie de Modelo do Word de Piada, na qual se muda apenas as gostosas. Sim, porque todo quadro consiste em um humorista decadente interagindo com uma gostosa. Ou então só tem a gostosa.

É o império dos ignorantes sobre os inteligentes. Não existe maior prova de que o ser humanos é um animal regido por seus instintos como qualquer outro do que o povo brasileiro (não animal, tu que tá se formando em engenharia não entra, ou não deveria entrar, no conceito de povo).

É muito, muito triste. Mas totalmente aceitável em um país que tem um presidente com a invejável formação que tem o nosso. E reelegeram a anta.

100 Escovadas Antes de Dormir

Filme com o mesmo nome de um livro um tanto polêmico lançado no mesmo ano em que os Superphones foram tocar com os Blemish em São Paulo, o qual eu obviamente não me lembro qual foi. O livro era interessante. As descrições que a menina fazia das putarias que ela protagonizava eram bem legais, principalmente porque se dizia tratar de uma história real (termo proveniente do esquecimento da palavra “estória” da nossa língua. Afinal, se ela ainda fosse utilizada, quando é real é história, e se não é, é estória. Mas a academia brasileira te letras tem atée o sarney, que pior do que governando, só escrevendo).

O diretor e o roteirista, que não me dei o trabalho de decorar, cagaram tudo. Estragaram a história, os personagens, acrescentaram uma personagem a mais, tornaram a guria uma cagalhona burra que não sabia o que estava fazendo. O filme é uma das maiores porcarias que inventei de assistir nos últimos tempo. Vou até reler o livro, pra ver se minha memória não me enganou e ele é mais parecido com o filme do que eu acho. Ou pra descobrir que quando li minha percepção estava alterada e o livro é uma merda também.

Carol – Patricia Highsmith

Comprei esse livro junto com um livro da Anaïs Nin cujo nome não me lembro agora. Patrícia Highsmith, a autora, é também a autora de “O Talentoso Ripley”, e como na contracapa da edição para bolsos gigantes da L&PM dizia que ele havia inspirado Nabokov a escrever Lolita, eu resolvi dar uma olhada.

O livro é uma história de amor lésbico um tanto conturbada. Durante a maioria das páginas do livro o leitor se encontra com raiva da protagonista. A protagonista é uma cenógrafa de 19 anos chamada Therese, que mora em Nova York sozinha em um micro apartamento, e que inicialmente namora um mala sem alça de origem russa pelo qual ela não sente praticamente nada. Carol é uma mulher bem mais velha que ela, mãe e que está se divorciando. Elas se conhecem em uma loja de departamentos e a guria de 19 anos se apaixona por ela.

Quando elas saem para viajar juntas de carro é quando descobrimos o que inspirou Nabokov. É mais um guia de viagens pelos EUA. Felizmente, ela descreve muito menos o ambiente do que Nabokov. Mas infelizmente, todas as cenas de interação das duas poderiam ser resumidas a umas quatro ou cinco.

O final do livro, graças a deus, surpreende. E surpreende bem na hora que tu acha que Manoel Carlos encarnou na Patrícia Highsmith. Não contarei o final. Não pouparei ninguém do guia de viagens. Nem de ficar com raiva da cenógrafa. Boa sorte.

Job dos meus sonhos

Qual a situação atual?

Estamos chegando perto do final do ano e muitos dos prazos das dívidas do cliente devem ser cobradas. Uma vez que estte ano tivemos récorde de “empréstimos”, o retorno ao longo do ano foi bom, mas muitos consumidores ainda não pagaram ao cliente o que lhe devem.

Qual a situação desejada?

O cliente quer, antes de tudo, que todos os consumidores lhe paguem, de um jeito ou de outro, e com juros, tudo que lhe devem. Como os juros são altos, o ideal é que todos estejam entregando o pagamento em dezembro, com os juros ao máximo. Mas para que isso aconteça, é necessário um “incentivo” para que os consumidores se mexam e obtenham o dinheiro para o pagamento. Desse modo, o que o cliente quer é que se consiga o pagamento de todos, e no caso de isso não ser possível, ele deseja que aqueles consumidores que não cumprirem com suas partes do trato sirvam de exemplo para os futuros consumidores.

O que já foi feito antes?
Os métodos utilizados variaram bastante ao longo do histórico do nosso cliente. Tendo a administração destes assuntos sido passada há pouco tempo para o filho mais novo do cliente, ele quer certamente mostrar serviço tanto em eficiência, qualidade e criatividade. Orelhas cortadas e joelhos quebrados não são uma opção. Precisamos de algo novo, modernos e psicológico. Vamos nos puxar pessoal!

Qual o público-alvo?
Segue anexo arquivo de texto com nome, endereço, fotos e maiores informações sobre cada um dos consumidores e de suas respectivas famílias.

O que o público-alvo deve estar pensando após nossa ação?
“Puta merda! Ainda bem que eu paguei esse cara!”

O que a família do público-alvo deve estar pensando após nossa ação?
“Puta merda, ainda bem que ele pagou esse cara!”
Ou no caso de não pagar “Meu deus do céu! Que tragédia!!! Deveríamos ter pago este cara!”

Que argumentos temos para convencê-lo disso?
Temos uma grande variedade de revolveres, pistolas, facas e outras ferramentas. Temos também dvds com ex-consumidores sendo torturados até a morte. Temos fotos e informações das famílias do público alvo também.
De qualquer modo, o ideal é que tenhamos novas sugestõees. Temos certeza que a criação nos trará algo inédito que irá encher os olhos do cliente.

Qual a mensagem princial? (foco)
“Se você não pagar [sugestão da criação] irá acontecer!”

Qual o tom da campanha?
O tom deve ser ameaçador. Deve dar ao público-alvo a certeza que ele não tem saída, para que não tente fugir, causando mais prejuízo e mais transtorno ao cliente.

Obrigatoriedades e Limitações:
Cada uma das pessoas deve ser avisada ainda este mês. Por isso temos pouco prazo. O desafio é fazer com que paguem sem que tenham que ser mortas. Tanto no caso do aviso como no caso da execussão (quando não pagarem) devem ser criativos, rápidos e sem possibilidades de associação com o cliente. O desafio é fazer com que os próximos consumidores saibam que foi o cliente, mas que a polícia não possa provar.

Qual a forma de apresentação?
Precisamos de layout e descrição detalhada de cada ação. O cliente é alguém com pouca paciência e que saca a arma por qualquer coisa, ou seja, não teem licença poética.

Qualquer dúvida, vamos falar.

Viva a democracia!

Democracia é um sistema de governo onde uma grande passa inculta e analfabeta, manipulada por um pequeno grupo de filhos da puta, tem a chance de fazer a manuteção da roubalheira em uma pocilga de proporções continentais.

Ontem reelegeram o Lula. Por quê eu estou surpreso? Não faço a mínima idéia. Talvez porque eu simplesmente não seja capaz de entender como um ser humano pensante possa votar em alguém que fez tudo que ele fez, e ao mesmo tempo não fez a grande maioria das coisas que mente ter feito.  No meu entendimento, é como abraçar um assaltante logo depois que ele atirou em ti.

Voto obrigatório e voto pra analfabeto é a coisa mais filha da puta e cretina que existe. Eu não admito que alguém que não sabe ler nem o próprio nome tenha o mesmo direito de decidir o rumo do país do que eu. E quem admite é porque não tem o menor valor por si mesmo. A igualdade entre todos os seres humanos é uma idéia tão idiota quanto o voto obrigatório e o voto pra analfabeto. Ah! Vale lembrar aqui que quem tem deficiência mental tabém vota no Brasil. Deve poder se eleger presidente também.

Cheguei a entrar no site do exército ontem e procurar um endereço de e-mail para escrever a eles implorando que tirem aquele salafrário do Planalto. Acho que nem preso eu seria por isso.

De qualquer modo, o povo brasileiro tem, sem dúvida, o Brasil que merece. (Tá, nem segue com esse “mas eu…” porque tu sabe que tu não entra na categoria povo, mesmo que seja estudante de jornalismo e continua achando que o comunismo existe).

Saco.

www.irrelevante.com.br

O Terra é totalmente insuperável em relação a noticiar inutilidades.

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