Pavões e Ornitorrincos

Se isso for adiante, bah!

Palmtop, o Anão…

Quando finalmente o Acre for destruído por uma bomba atômica ou por uma avalanche de guarda chuvas e eu conseguir ganhar na mega sena multi-acumulada, eu contratarei um anão para me servir. Com a destruição do Acre ficará mais fácil de contratar anões refugiados a preços decentes.

As atribuições do meu anão serão bastante simples. Antes de tudo, ele deverá ter uma agenda com todos os meus compromissos, lembrando-me de cada um deles sempre em tempo de eu não perdê-los. Em segundo lugar, ele teria um palmtop com câmera com a finalidade de fotografar cada pessoa que eu venha a conhecer, e preencher um pequeno profile da pessoa, dizendo quando e como a conheci e os assuntos sobre os quais conversamos. Com apenas estas duas atribuições, meu anão já substituiria grande parte da minha memória.

Além disso, ele seria encarregado de ler os briefings em voz alta para mim, enquanto eu caminhasse para pegar mais café. (Não, servir café não é ffunção de Palmtop, o Anão). Ele também ficaria me cutucando de tempos em tempos, me lembrando de fazer tarefas corriqueiras, como marcar exames em médicos, fazer jpgs para o atendimento e desligar o fogão depois de terminar de fazer a comida. Meus e-mails de trabalho, inclusive, passariam a ser sempre encaminhados com cópia para o Palmtop.

Creio que uma vez que eu passasse a utilizar este serviço inigualável, logo várias pessoas iriam aderir a ele. A vantagem do anão em relação às pessoas mais altas seria a facilidade de se locomover entre as outras pessoas e o fato de ocupar muito menos espaço que outras pessoas. Sim, sei o que estão penando: “Mas por quê ele não contrata uma criança chinesa, então?”. Porque é crime, ora.

Ainda em tempo…

Descobri que cada sabiá canta diferente um do outro. Isso me permite ter absoluta certeza que o sabiá que inferniza minha vida é sempre o mesmo. Isso me deixa com a consciência totalmente limpa, uma vez que agora eu vou mesmo matá-lo.

Betty Blue

Minha namorada é uma das curiosas pessoas que nasceu depois de 80. Acho que jamais me acostumarei com a idéia de que alguém realmente PODE nascer depois de 80. Mas de qualquer modo, isso permitiu a ela não conhecer a fama desse filme. Ainda assim, ela o viu na locadora e, tomada de invejável preguiça, pegou-o sem nem ler a capa (junto com Tommy e Camille Claudel).  Mas isso simplesmente não importa.

Eu nunca tinha visto esse filme. Quando baixei a trilha sonora, certo de que encontraria a música tema de Bagdad Café, me decepcionei bastante com atrilha. Já o filme é surpreendente. É um filme totalmente doente. A mulher é completamente louca e se fosse eu a vítima de tê-la como amante, a teria jogado pela janela e jogado o sofá logo depois, pulando em cima dela e do sofá descontroladamente até que paresse de ouvir plfffrrrzzzz.

Mas vale a pena ver o filme. Ele surpreende a cada momento, sempre com uma situação ainda mais absurda e doentia. O final me pareceu completamente bizarro, mas eu estava realmente muito bêbado quando acabou. Um filme que vale a pena ver. É muito engraçado mesmo.

Brasil – País sem tendências

É surpreendente que um país como o Brasil, completamente vazio em relação à tendência, pode ser visto como fonte de inspiração para moda onde quer que seja. O Brasil é um país onde:

1) Não se pode escolher o que vestir.

Antes de dizer categoricament “ah! mas eu me visto como eu quero”, cale a boca e entenda que não. Aqui é possível se achar coisas que se assemelham com o que se tinha em mente. Na maioria das vezes a gente se veste com o que deu pra conseguir. Só existe a moda e uma pequena variação de um ou dois anos pra trás de coisas que sobraram. Dá pra comprar coisas em brechó, mas o mais provável é que se fique vestido de brechó do que se consiga criar um estilo. O pior de tudo é que a moda é ruim. A moda brasileira é inferior, e tanto não tem nem sabe o que é tendência, que sempre é uma macaqueada semi-paraguaia do que ocorreu seis meses atrás na europa (melhor opção) ou estados unidos (se quiser se vestir de assaltante e gastar uma bela grana pra isso).

– Não se pode escolher o que assistir.

“Mas eu tenho net!” Pior pra ti que paga. Em si, temos meia dúzia de canais aberto totalmente porcos que, por alguma razão inexplicável, se nivelam por baixo. A programação é um lixo. A novela brasileira atinge um novo patamar: conseguiu ser tão ruim quanto a mexicana. Quanto à tv paga… é um festival de repetições que torna bem mais simples e melhor baixar o que se gosta da internet e viver feliz para sempre. “Mas até tem uns programas bons…” Se existirem na televisão brasileira por volta de 200 programas e tivermos apenas 2 bons, então podemos dizer, sem culpa, que toda a programação é uma merda.

– Não se pode escolher o que ouvir:

Tirando míseras excessões, as rádios brasileiras são uma vergonha. Festival de propaganda e jabás que fazem a manutenção do sistema feudal cultural brasileiro. Pouca coisa presta, e o que presta produzido lá fora o s pobres DJs mal ficam sabendo. A produção musical brasileira anda, na maioria das vezes, pra trás. Todo ano resgata a tropicália, todo o ano mistura os mesmos ritmos e as mesmas tendências, se direcionando sempre a lugar nenhum. Vácuo total comparado à evolução musica que ocorreu na europa apenas em 1997.

Quando não se tem opões, não é possível se ter tendências. Uma vez que as pessoas não podem agir, ouvir, ver o que gostam, a mídia, a moda e tudo mais, não têm como seguir e notar a tendência, pois ela não existe. No Brasil a moda, e a maioria dos gostos de cada um, é ditado pela televisão. O normal seria que a TV mostrasse aquilo que as pessoas mais querem, e não que as pessoas passassem a querer o que a TV mais mostra.

É triste. Muito triste. No mundo, as gravadoras acabarão logo. Aqui, talvez nunca. No resto do mundo, a moda precisará de uma revolução para se manter. Aqui é provável que nunca aconteça. No resto do mundo, a TV terá que fazer milagre pra não perder todo o público para a internet. Aqui é bem provável que se consiga convencer o público a usar um controle remoto tosco, mal feito e ruim para acessar a internet pela TV e votar no final do Você Decide (que logo volta).

Eu odeio sabiás…

…e não é algo que faça parte de um ódio generalizado por aves, pássaros, anjos e outros animais penosos. É específico. Eu odeio sabiás. Acho que desde pequeno. Aquele canto inconfundível e insuportável.

Mesmo não gostando deles desde pequeno, creio que meu ódio se consolidou finalmente quando me mudei para a casa onde moro hoje. Uma porcaria dessas, por alguma razão inexplicável, tinha a mania estúpida de cantar posado na minha janela, às 3 da manhã, que costumava ser a hora em que eu ía dormir. Porque aquele monstrinho tinha que cantar logo na minha janela?

Por vezes imaginei o catártico dia em que abriria velozmente a janela e, como em um desenho animado, esmigalharia o desgraçado contra a parede da casa. Infelizmente, isso jamais aconteceu. Foram os sabiás que me fizeram antipatizar com o movimento de moradores estúpidos da marquês do pombal que atrapalhou toda a obra do esgoto no bairro floresta. Eu nem me preocupava com o fato dos dementes ignorarem que aquelas árvores vão cair, se não forem cortadas, pois a obra destruiu suas raízes. As implicações técnicas não eram nada importantes comparadas com a faixa que dizia: “ajude a proteger o refúgio dos sabiás”… ou algo assim.

Ontem à noite, enquanto trabalhava neuroticamente, vendo as horas passarem com uma velocidade assustadora, atormetado por músicas ruins que o anjo bagaceiro que fica posado num dos ombros fica colocando no meu cérebro pra azucrinar a mim e ao demônio do outro ombro, apenas uma coisa poderia tornar pior o nervosismo por ver que não conseguiria terminar tudo a tempo.

Sim. Ele. Aquele pássaro idiota começa a cantar desenfreadamente, sem parar, das três da manhã, até as seis.

Já não quero mais matá-lo. Quero capturar o desgraçado e pintar ele com esmalte de unhas. Depois pendurar ele em uma corda que fica quase ao alcance do pulo do meu cachorro, para que ele seja atormentado, sem conseguir voar pra fugir , e sem nunca ser suficientemente mordido para morrer.

Nada melhor pra aliviar o cansaço do que o bom e salutar exercício do ódio.

Way Opa!

Way Opa é até agora, pelo menos de brincadeira, o nome do próximo CD do Superphones. Esse nome surgiu, pelo que minha escassa memória consegue lembrar, de um erro de digitação do Pedro, em uma conversa comigo no falecido icq. Eu adorei o nome e saí fazendo pilhas de capinhas. Pra mim, como o nome não tinha absolutamente nenhum significado, a gente poderia fazer um encarte que consistia em várias capinhas, pras pessoas escolherem por na frente a que mais gostassem. Infelizmente nós não moramos no acre e jamais ganharemos na mega-sena acumulada, e o custo disso acaba pondo a idéia meio de lado.

Mas, como sempre, não era disso que eu pretendia falar. Hoje começei a manhã ouvindo o segundo dos bounces que o Sérgio fez, do material gravado em Bagé. O primeiro foi de Departure, esse segundo de uma música do Cris que ainda não tem nome. Assim como Departure, essa também me deixou besta. E esses dois bounces são apenas as músicas limpas e cruas. Só recortadas, sem equalização e mais nenhum efeito.

É muito bom ouvir as músicas e ver que estávamos certos de nos enfiarmos em Bagé pra gravar tudo. Deu um trabalhão, mas tá valendo a pena o resultado. Dá vontade de gravar o outro CD inteiro de novo. Certamente isso não vai acontecer.

Sigo aqui no meu momento megalomaníaco, ouvindo essas duas músicas da minha própria banda em repeat. Pelo menos até que o Sérgio nos mande mais uma.

JJ72

Ontem fiquei sabendo que o JJ72 resolveu acabar. Fico sempre triste quando uma banda que eu gosto acaba. Eles certamente, depois de 11 anos de banda, chegaram à triste conclusão de que tinham um bom número de razões para deixarem de existir. Mas isso não torna o fato de acabarem menos ruim.

No início do ano, logo após lançarem seu novo CD, o Grandaddy também anunciou o fim da banda. O mais absurdo é que eles fizeram isso logo depois de lançarem o que provavelmente é o melhor album deles.

Espero que mais nenhuma banda boa anuncie seu fim este ano. Nem no próximo. Eu ficaria muito mais feliz se alguma das inúmeras porcarias de quem somos vítimas aqui no Brasil terminasse. Ou um desses grupos de hip-hop. Se bem que cada vez que um grupo de hip-hop se desmonta, nasce de cada um dos membros mais uma nova porcaria. Melhor que sejam outras bostas.

Bem… pelo menos o JJ72 deixou um bom trabalho, para podermos ouvir e nos revoltarmos que acabou.

Sexta-feira…

Eu ando um mala sem alça pra festas. Acho tudo uma bosta, acho que os djs nunca mantém um padrão, acho que pessoas que não deveriam estar lá invadem a festa e que deveríamos ser realmente hostís com essas pessoas.

Felizmente a festa de sexta não foi assim. Chegamos no Mosh depois de passar no Pinguín e no Van Gogh, portanto já estávamos consideravelmente bêbados. De qualquer modo, as bandas estavam legais (o que eu consegui ver, pois não paramos muito quietos) e o som estava muito legal. Os quaisquer não invadiram a festa, o que é o melhor. Além disso, encontrei bastante gente que eu não via há algum tempo.

Espero que esta festa siga assim. Tenho certeza que enquanto não for citada no Patrola ou na contra-capa, ela estará segura. Pois é realmente bom ir a uma festa boa.

V for Vendetta

Demorei tanto tempo me decidindo pra ver este filme que acabei vendo em DVD. Eu achava a idéia legal, e o cenário, mas o herói é muito, mas muito reidículo. Pelo menos à primeira vista.

Superei meu medo de me mijar rindo do herói e tirei o filme pra ver. Felizmente, depois de caracterizado o herói, ele se torna bem menos ridículo. Ele não tirar a máscara o filme todo é uma quebra simples de clichê que faz com que a máscara tenha mais legitimidade.

Talvez eu tenha gostado tanto da história por causa da visão de justiça do herói. É um cara que sabe que a violência pode ser usada para o bem. Uma coisa que infelizmente os brasileiros jamais entenderão. O herói sabe que passear com um cartaz na mão, em certas situações, não serve para absolutamente nada. Então ele resolve da maneira eficaz.

Capaz que eu iria terminar sem comentar sobre a Natalie Portman! Ela está fora de série no filme. Ela deve se sentir muito bem de contracenar com alguém que consegue ter expressão mesmo atrás de uma máscara. Principalmente depois de contracenar com aquele Ricardo Macchi do espaço que era o ator que fez o Anakin. Além disso, ela consegue ser bonita mesmo de cabeça raspada (minha namorada me disse que se ela estivesse pintada de dourado e com a bunda pintada de vermelho, eu ainda a acharia o máximo). Mas, opiniões da Ale a parte, a Natalie Portman é foda, como sempre foi, desde O Profissional.