Protect me from what I want

Então, depois de dias sem postar, tudo que eu deixei de escrever simplesmente não me faz falta porque é ofuscado pelo que vai acontecer hoje. Certamente que as pessoas legais que eu conheci nas ultimas semanas, as línguas novas (e conhecidas) que passearam pela minha boca e os momentos memoráveis que vivi com meu exército de amigos não perdeu de jeito nenhum a importância. Mas sinceramente me parece esforço demais tentar me lembrar de tudo quando uma coisa só me importa nos últimos dias.

Quando o fiquei sabendo que o Placebo vinha pra Porto Alegre falei pro resto da banda: vou me coçar muito agora e descobrir com quem diabos terei que falar pra dar um jeito de abrirmos pra eles. Obviamente não consegui falar com ninguém. No decorrer do processo, em uma Noisy lotada de pessoas exaltadas, surge o boato de que abriríamos para o Placebo, criado descaradamente pelo bom Urubu Ligüíça, e espalhado com uma velocidade surpreendente. (a vocalista do Deus e o Diabo disse pra mim: as palavras tem poder!)

Pouco tempo depois surgiu o aviso às bandas que deveriam mandar o material pra uma produtora no rio pra que eles escolhessem depois quem abriria pro Placebo. Seriam 5 bandas de cada região, blá, blá, blá, todo mundo sabe do resto.

A expectativa foi foda, porque não disseram em lugar nenhum quando sairia o resultado. Eu, megalomaníaco e metido a besta só dizia pro resto da banda: nós vamos ser selecionados. Eles continuavam dizendo que era melhor não criar expectativas. No final das contas, eu não tive certeza o suficiente para não comprar meu ingresso, como fez o Cris.

Fomos selecionados. A primeira lista não parecia ser a coisa mais digna de crédito do mundo, então não divulgamos nada. No dia seguinte se confirmou e bebemos para comemorar no bom e velho pinguím, com uma mesa lotada de pessoas muito afudê.

Começa a polêmica. Bandas que não foram selecionadas se revoltam com as selecionada. The Dharma Lovers é desclassificado e dizem que outra banda também havia sido. Isso nós já estávamos no local do show esperando que nossos milhões de perguntas sobre tudo fossem finalmente respondidas. Tensão, expectativa. Hora de ser uma pessoa que conhece pessoas: alguns telefonemas e a resposta de que apenas eles haviam sido eliminados. Ficamos todos felizes por Deus e o Diabo ser a banda que entrou no lugar deles. Os caras se puxam pra caralho e são muito gente fina.

Todos jogados pelos cantos. Superphones, Stratopumas, Deus e o Diabo, Superguidis e Cartolas. Todo mundo meio nervoso e fazendo piadas sobre a espera. Levou horas. Eu tinha certeza que em breve apareceria um homem vestido de monge e nos diria: muito bom, vocês passaram pelo primeiro teste, o da paciência, agora tirem os sapatos para o segundo teste. Felizmente não veio o monge.

Chega o pessoal da produção, finalmente. Um velho com cara de gringo, parecendo ser simpático; um cara carequinha com cara de parte técnica, um cara menor que eu de cavanhaque com cara de responsável por tudo que ninguém específico era, e uma mulher de uns 40 anos, cabelos pretos, olhos escuros, lábios nem finos nem grossos, roupa preta, cara de chefe, que eu tive vontade de pular sobre, rasgar as roupas e dizer pro pessoal que as perguntas poderiam esperar. Concentrei-me dizendo a mim mesmo que precisava ouvir o que ela estava falando e não o que eu gostaria que ela estivesse.

Ouvimos tudo, acertamos tudo. Todos felizes. Voltamos pra casa. Foi difícil dormir. Mas dormi bem, ajudado por meu fiel relaxante muscular de todas as horas.

Agora cá estou eu, vestindo minha camiseta da Avril Lavigne, esperando que a Mari chegue pra ligarmos pro Pedro e irmos para a passagem de som. Primeiro os Cartolas passarão som, mas queremos saber como as coisas funcionam, e iremos antes.

Superphones… sempre pentelhos, chatos, perfeccionistas e loucos pra tocar muito.

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