Ora vá cagar na casa do Pedrinho!

Poisé… pobre Pedrinho. Já não basta ter que aguentar aquele cheiro estranho do purificador de ar que a mãe dele grudou no banheiro, ainda tem que aguentar aquela criança retardada que não para de cagar na casa dele.

E se isso virar um costume de outras pessoas também? E se de uma hora pra outra, vitimado por uma terrível diarréia, o pobre Pedrinho descobrir-se encurralado, por todos os seus banheiros de casa estarem ocupados por pessoas que alegam que só fazem cocô na casa do Pedrinho.

Mas esqueçamos minha implicância com esta campanha idiota e pensemos nas benesses que ela pode trazer. Afinal, dizer “vou ali na casa do Pedrinho” é definitivamente mais light do que dizer “vou ali libertar o Mandela”. As mães poderão deixar seus filhos muito menos contrangidos, dizendo que ele está na casa do Pedrinho e liga quando retornar. Sim, eu admito que a expressão até pode ser útil.

De qualquer modo não consigo parar de imaginar uma pobre criança com um olhar transtornado para uma câmera em um vídeo no you tube dizendo algo como: “Oi pessoal, pra quem não me conhece, eu sou o Pedrinho. Estou aqui para fazer um apelo e pedir a colaboração de vocês. Por favor, parem de fazer cocô apenas na minha casa. Não só eu estou tendo que recorrer a banheiros de shopping e de vizinhos que já entendem minha lamentável situação, como é quase impossível a caixa d’água do meu prédio dar conta de tanto cocô. Agradeço desde já pela compreensão.”

Claro, tem uma versão muito pior, que seria de um velho com cara de tarado babão, com a barba por fazer e uma camiseta de física amarelada de tão suja dizendo: “Oi pessoal, eu sou o Pedrinho. Que tal vir aqui cagar na minha casa, hein?” E piscaria o olho enquanto colocava o palito no canto da boca.