E depois de três anos…

…eu esqueci de organizar um churrasco de sexta-feira santa.

Ao contrário do que alguns possam pensar, ter quase morrido afogado com um pedaço de picanha mal passada, no ano passado, não foi razão nenhuma para eu deixar de fazer o bom e velho churrasco. Acredito que deus tenha um humor muito melhor do que as pessoas sejam capazes de entender. Senão ele não teria um Papa que parece o Palpatine.

A verdade é que, como mais uma série de coisas, corriqueiras ou importantes, eu esqueci de organizar o churrasco. Eu nunca vou saber (porque sempre esquecerei de marcar um nerologista) se eu esqueço tanto tantas coisas por receber um número realmente excessivo de informações todos os dias, ou se a estranha teoria do meu pai de que as tacadas de snooker que levei em uma briga no Barbatana Snooker em meados de 1998 me deixaram muito mais seqüelas do que eu possa imaginar. Segundo ele eu enlouqueci depois daquele evento. Tenho ressalvas quanto a essa opinião.

Esta semana a realidade nos presenteou com eventos como a americana que está processando uma companhia aérea por um outro passageiro ter ejaculado no cabelo dela durante o vôo e também a alemã que foi operar a perna e em vez disso ganhou um novo ânus. Tive a chance de ver, durante aquele abjeto Big Brother, o Jorge Fernando apresentar em primeira mão seu novo filme para os participantes do troço.  O filme termina com “FIM” escrito em Comic Sans. Desprezo absoluto pra quem pagar pra ver esta merda.

Além do Bukowsky, essa semana li também a bula dos dois remédios que estou tomando para tentar fazer meu dedão e braço esquerdos resolverem deixar de formigar. Descobri que a sensação de que eu ando meio abobado é resultado dos dois remédios. Concluí que eu deveria ter lido, há um mês quando comecei a tomar, que não é aconselhável tomar nenhum dos dois por mais de três semanas. O médico parece discordar. O fato de eu não poder dirigir ou operar máquinas enquanto estiver tomando esse remédio não é exatamente um problema, uma vez que minha carteira de motorista venceu em 2005 e jamais foi renovada.

Essa semana dizem que foi concluída a eterna obra que tranformou meu bairro em um barreiro tapado de mendigos. Todos os moradores tem medo de que quando abram os registros as caixas d’água explodam e afoguem uma parcela dos moradores. Os mendigos, seres humanos próximos da imortalidade, certamente sobreviverão.

Bem… depois de séculos não escrevendo até que escrevi bastante. Tentarei encher este blog com mais besteiras nos próximos dias. Talvez isso um dia me leve à presidência da república.

Teoria Fundamental do Brucutu-Sem-Medo

(parte integrante do ainda não lançado “Manual do Putanheiro Mirim”)

O Brucutu-sem-medo, muito mais do que uma pessoa, é um conceito. Para o seu entendimento se faz necessária uma explicação breve do que é o Brucutu de que tratamos aqui.

Para os que não estão familiarizados com ele, Brucutu é um indivíduo do sexo masculino desfavorecido estética e, muitas vezes, intelectualmente. Ou, em linguagem de mais fácil intendimento, um cara feio pra caralho, fora de forma (embora ele raramente tenha consciência disso), burro, sem-noção, inconveniente e totalmente incapaz de manter uma conversação por mais de quarenta segundos. Existem inúmeras possibilidades de manifestação destas criaturas, uma vez que a combinação das variáveis feiura e idiotisse ser algo completamente infinito e imprevisível.

Uma vez explicado o Brucutu, sigamos em frente.

Quem lê de uma maneira não muito crítica a explicação acima, pode imaginar que o pobre mortal descrito está fadado a uma vida de tristeza, depressão e canais de chat. À primeira vista, compreendo esse entendimento. Até porque acontece mesmo com muitos Brucutus. Mas não com todos. Pensem: quantas gostosas já cansaram de ver com caras que nenhuma explicação plausível pode ser dada para ela sequer ter olhado pra ele? Quantas? Hein? Pois é. Uma caralhada.

Uma mulher diria que é amor. Um caminhoneiro diria que o cara tem o pau do tamanho de um bonde. Uma pessoa com uma visão um pouco mais realista da índole da mulher default brasileira (tu que está te preparando pra me xingar por comment, para quieta que tu é excessão. Garanto!) se perguntaria: “Quanto ele tem que eu não tenho?” Todos pensamentos provavelmente errados.

Não é uma questão do que o cara tem. Bem pelo contrário. É uma questão do que ele não tem. E o que ele não tem é medo.

Sem dúvida nosso Brucutu teve uma adolescência difícil. Mais difícil do que a da maioria das pessoas. Porque adolescente sempre é mau. Adolescente mulher, então, é a encarnação do demônio. Esse cara foi motivo de piada, risadas generalizadas e levou todos os foras do mundo. Levou foras até das revistas de mulher pelada do pai dele. E isso o forjou em ferro inquebrável.

Através de um árduo treinamento insconsciente, o Brucutu se tornou um Brucutu-sem-medo. Alguém incapaz de entender a porcaria que é. Incapaz de se abalar com qualquer rejeição. Alguém que jamais irá temer se aproximar daquela baita gostosa que estava no canto da festa e que todos os caras da festa se cagaram de chegar.

Sim! E tu que perdeu teu tempo te esforçando pra não te vestir de palhaço, tu que gastou preciosas horas de nada-pra-fazer te puxando na academia, ficou no canto viajando, tentando decidir o que dizer, e quando finalmente resolveu te mover, ainda cheio da insegurança, o cara já tá lá, atracado na gostosa, sem ter dito mais do que quatro frases. Duas delas praticamente ininteligíveis.

Sim. Esse é o Brucutu-sem-medo. Um predador sem-noção que está à espreita de todas as gostosas em que conseguir colocar suas mãos encardidas.

Mas o que devemos aprender com ele? Devemos trabalhar nosso cérebro para atingir o estado de espírito de Brucutu-sem-medo. Pois uma vez que deus não fez do teu corpo, da tua cara e do teu cérebro uma terrível piada, e que tu atinja esse estado de espírito – bah! – nada vai te parar. Famílias estarão em pânico, empresas relançarão o cinto de castidade, a igreja repensará a relevância do casamento e, o mais importante, tu vai te divertir pra caralho!

Definitivamente não é algo fácil de se conseguir. A falta de noção necessária é algo quase perigoso de se buscar. Mas creio que os frutos farão valer à pena. Se eu conseguir, eu aviso. Se souber uma fórmula, eu cobro.

Comunicado Oficial

Venho por meio deste informar a todo o bando de bagunceiros que me acompanharam e acompanham ao longo da vida de baderna que, depois de ter muitas idéias, depois de aguentar por muito tempo meus ossos parecendo que vão explodir quando ouço músicas que eu adoro, depois de reclamar muito de muita coisa que me irrita na noite portoalegrense, a partir do início do ano do senhor de 2008, estarei me metendo de novo no divertido negócio de organizar festas. Eis tudo.

Pequena reflexão sobre festas que não são eletrônicas…

Ontem eu estava procurando, no google e em alguns sites de torrent, palylists de festas em lugares aleatórios do mundo, para baixar e ver o que anda rolando por aí. Achei que muito provavelmente eu encontraria algumas, de festas boas da europa, e algumas até do Brasil. Não encontrei praticamente porra nenhuma.

As únicas que existem disponíveis são playlists de festas eletrônicas, ou então arquivos enormes em mp3 de todo o set de algum Dj em alguma rave. Rock? Nadinha.

Fiquei ponderando sobre o assunto e tentando achar alguma razão pra isso. Poderia ser por causa de direitos autorais… tá, mas daí poderia se disponibilizar a lista das músicas, sem os arquivos das mesmas. Opção descartada. Poderia ser porque ninguém nunca tinha tido a idéia… não, afinal o pessoal que curte som eletrônico faz isso. Poderia ser um mero ataque de incompetência minha de não encontrar… ok, não descartarei essa. Poderia também ser porque os poucos Dj’s de festas de rock que temos por aqui (estou tratando de Brasil agora, pois simplesmente não entendo por que não fazem isso na europa e nos eua) não querem compartilhar seus preciosos segredos com os outros. Espero, sinceramente que essa não seja a razão.

É fato que temos muito pouca gente colocando som por aqui. Pelo menos em Porto Alegre. Temos várias festas, com nomes diferentes, mesmos Djs e uma mudança não muito grande no repertório. Se for eletrônica então dá pra cantar junto quase do início ao fim da festa. Tá, isso não chega a ser algo tão absurdo, afinal já estamos livres do anos 80 há uns 20 e muitos anos e é mais do que tempo pra decorar essas letras.

De qualquer modo, fico triste de não ter encontrado nenhuma playlist pra dar uma olhada. Compartilhar playlists de festas é legal pra fazer pessoas conhecerem novas bandas, e para Djs aumentarem seus repertórios. É legal também pra tu ter uma idéia melhor de como é tal festa, ou de qual a característica mais marcante de cada Dj.

Se algum dia eu me prestar a organizar uma festa ou colocar som em uma, vou postar aqui meus playlists. Se eu lembrar, é claro.

Dicas Simples Para as Pessoas se Manterem no Seu Lugar

Fui no Open Beco neste sábado. Eu já ando reclamando das festas de Porto Alegre há tempos, mas neste final de semana acabei me lembrando de uma frase que o Diego de Godoy disse há um tempão atrás, quando notamos que as festas estavam ficando mancas: “O problema é que as pessoas que estão vindo são extremamente desinteressantes.”

A causa do problema volta a algo que eu sempre dico e acho até que já escrevi aqui:  somos muito pouco hostís com as pessoas que não deveriam estar em nossas festas. E sim, existem pessoas que não deveriam estar lá. O sentimento de “ah! não é assim!” do portoalegrense é o que faz Porto Alegre ser o lugar mais aniquilador de movimentos culturais do mundo. Vide o Mix Bazar, que era pra ser uma coisa voltada ao público eletrônico, e que em Porto Alegre vende até bijuteria de velha.

Então, para ajudar essas pessoas a entenderem que não são bem vindas, eu farei essa boa ação à vida noturna portoalegrense fazendo uma lista simples de como a pessoa pode saber que ela está culturalmente atrapalhando:

1) Se tu ficou sabendo da festa pela Zero Hora ou pelo Patrola, é porque tu não deveria estar nela mesmo. O grupo RBS é um animal de mau agouro em relação a festas boas, pois faz gente como você (dedo no teu nariz) ficar sabendo de festas que vão estragar quando vocês invadirem;

2) Se tu tem todos os CDs da Beyounce (sei lá como se escreve isso), ou do Eminem, ou adora o Armandinho, então faça-nos o favor de não estragar nossa vida com sua asquerosa presença. Você provavelmente vai estar vestido errado, não conhecerá as músicas, e ocupará um espaço desnecessário na pista de dança;

3) Se tu conheceu Franz Ferdinand ou Coldplay natrilha da novela, e ainda por cima acha super legal que o Papas da Língua vão abrir pro Coldplay, o seu lugar é em casa vendo Zorra Total;

4) Se antes de invadir nossas festas tu combinou de encontrar o resto das patricinhas e mauricinhos no postinho, por favor, permaneça lá. Se possível, beba gasolina e morra;

5) Se tu achar uma baita idéia botar um vestidinho por cima de um legging, dirija-se ao Dado Bier mais próximo;

6) Camisa social e calça branca são sim uma boa opção…  para ficar em casa;

7) Se tu não ficou puto dos cornos quando viu a fila na frente do local, é porque não deveria ter vindo. Inclusive, só tem fila porque pessoas como tu vieram invadir nossa festa. Portanto vai embora e leva a fila contigo;

8) Se tu levar um esbarrão de alguém e teu cérebro peristáltico costuma responder com: “qual é meu?” ou “vai encarar?” vá pra casa abraçar os outros caras da tua turma de Jiu-Jitsu. Talvez bebados as lutas de vocês levem mais tempo e os deixem mais satisfeitos;

9) Se tu ignorou todas as dicas acima, foi na festa, e viu que não conhece nenhuma música, pare de forçar a barra e não apareça mais.

Acho que é isso. Até porque eu também sou portoalegrense e não quero ficar mais ofensivo do que já estou.  Quanto ao pessoal que deveria mesmo estar na festa, por favor, seja hostil com quem não é bem vindo. Fale na cara dele. Ria dele. O ser humano só se comporta como deve através de violência, ou quando se sente um idiota. Portanto…