Divagação Tipográfica

Estava eu, esta semana, dentro de um T9 a caminho de casa quando notei o novo (pelo menos pra mim) cartaz da campanha do TRI. Impossível não pensar sobre a forma influi na linguagem escrita. Como não apenas aquilo que está escrito, mas o modo como as palavras estão dispostas, como os tipos utilizados foram escolhidos, ou seja, como a diagramação da frase influi naquilo que está sendo comunicado. Dessa forma, replico e altero o cartaz que vi no ônibus para melhor compreensão de minhas divagações. Convém comentar que talvez o cartaz abaixo não faça o menor sentido para quem não é gaúcho.

TRI

Bem que podia ser sempre assim…

Fazia algum tempo que eu não via Porto Alegre como está nestes últimos dois dias: vazia! Que saudade de ver a cidade assim! O trânsito fica melhor, o stress fica menor, e até o calor diminui. Por que não pode ser sempre assim?

Tirando raríssimas excessões (i.e. parentes e amigos), eu tenho plena certeza de que toda essa gente que não está por aqui simplesmente não faz falta nenhuma! Por que diabos simplesmente não permanecem pra sempre onde quer que estejam agora e nos deixam em paz?!?

Nestas horas eu fico feliz que minhas chatísses sejam coerentes. Por exemplo: eu não gosto de sol e de praia, assim como não gosto da horda de débeis mentais que é a gigantesca maioria no trânsito de Porto Alegre, e da inesgotável multidão de malas-sem-alça que atrapalha (e são sempre os mesmos, com o mesmo perfil, quer vocês – politicamente malas-sem-alça – aceitem ou não) em supermercados, festas, farmácias e toda e qualquer espécie de estabelecimento dos quais possamos vir a precisar. A coerência está no fato de que essas pessoas citadas acima gostam de sol, praia, música ruim, farofada na beira da praia, banho-de-câncer-de-pele, imundiciar toda e qualquer superfície perto de onde resolvam ficar parados mais de 13 minutos, e toda uma série de outras coisas que eu conscientemente odeio.

Nessas horas é gratificante saber o quanto as pessoas que eu não gosto gostam das coisas que eu odeio.

E me vem a pergunta: por que não mudamos as placas das estradas em volta e impedimos que esse bando de malas retorne? Ou mudamos a cidade de lugar? Ou a erguemos do chão como alguns castelos de filmes de fantasia medieval?

As vezes é mesmo um pé no saco não ser onipotente.

Maria do Rosário Prefeita ou Cadê o PT?

Antes de tudo gostaria de parabenizar os colegas publicitários pela estratégia muito bem desenvolvida para a campanha da candidata Maria do Rosário, da Frente Popular. Não existe nada mais inteligente do que admitir que qualquer ligação que se possa fazer de uma pessoa ao PT é totalmente nociva para as pessoas em questão.

Nenhum político que espere ser eleito gostaria de ser associado à estranha ligação do intestino do presidente à sua boca. Uma pessoa normal eliminaria tanta merda pelo ânus, mas ele insiste em fazer isso pela boca, diante de cameras de televisão. Mas gosto é gosto.

De qualquer modo, meu objetivo aqui é analisar a interessantíssima campanha da candidata Maria do Rosário. Comecemos por um dos VTs que andam veiculando:

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Zssl5OHqm_s&w=570]

No início a gente nem nota, mas se prestarmos atenção, tirando a estrela vermelha – que contém o 13, número dela nas eleições – não existe mais nenhuma outra alusão ao PT na campanha. Ela não fala no PT uma vez sequer, e PT não aparece escrito em lugar nenhum.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=joJhTxYPX4g&w=570]

Lá vai a estrela vermelha subindo e subindo. Mas nem nela e nem no jingle, o PT é citado. O que é muito interessante quando logo depois isso é seguido por ela falando um texto em que diz “ter posição, ter lado”. E ela ainda diz, nesse mesmo tempo, que pode dialogar com a população com muita transparência. Claro. Com smart blur e outros efeitos de Photoshop nas peças impressas, sim. Mas transparência não é o caso.

Tem um dos filmes que eu não achei pra colar aqui em que ela diz que tem um agradecimento muito grande com Porto Alegre. É um desrespeito com a língua portuguesa, mas ainda subliminar demais para podermos notar sua associação com o partido do presidente.

O site foi o único lugar até agora em que encontrei um “PTzinho” tímido embaixo do logo da campanha dela. Porque mesmo a estrela que fica na barra do browser tem 13 dentro, e não PT.

De qualquer modo, o responsável por isso está de parabéns. É definitivamente uma ótima estratégia para um partido que, definitivamente, é líder em decepção de público. Muito bom!

Estava eu aqui refletindo sobre um troço…

Coisa mais contraditória uma rua chamada “Padre Cacique” não? Tipo… deve ter sido um Cacique genérico que foi convertido por algum jesuíta na época das missões. De qualquer modo, se o fato é memorável, não devia ter o nome do tal Cacique?

Muito estranho.

Umas coisas soltas…

De tempos em tempos eu passo um século sem escrever. Isso não quer dizer que pouca coisa anda acontecendo. Na real, costuma ser bem o contrário. Quando isso acontece eu sempre acabo fazendo um post aleatório tapado de tópicos meio desconexos, mas que dão uma idéia do que anda acontecendo. Lá vamos nós outra vez:

• O sócio meu e do meu irmão no Estúdio foi assaltado na frente da nossa casa. Sim, aquela que até há pouco tinha a cratera na frente, que a prefeitura nos deu de presente. Taparam o buraco e não liberaram a rua. Temos uma lâmpada que nunca acende e outra que nunca apaga. O bairro floresta anda a terra de ninguém tanto que…

•… acordei um final de semana com gritos e tiros na esquina de casa. Um vizinho estava chegando em casa e tentaram levar o carro dele. Acabou sendo baleado. Viva a segurança pública.

• Descobri que todos sabem quem matou a Taís, mas poucos sabem o que anda acontecendo com o Renan Calheiros. Teoria da conspiração à parte, nosso país é uma bosta e precisa ser destruído. O povo é um lixo e merece ser explorado.

• A democracia não funciona.

• Fui ao lançamento do Inventário de Delicadezas. Adorei ver a sessão de autógrafos lotada. Li apenas dois contos até agora, mas não posso me sentir mais orgulhoso da Blondie.

• Descobri que sempre que viro a noite trabalhando o dia é seguinte é pior pra meus colegas de trabalho do que pra mim.

• O Fogaça voltou pro PMDB. Não sei se é um erro. Ele não errou nenhuma vez como prefeito até agora. Até porque é impossível se errar quando não se faz absolutamente anda.

• Minha força de vontade foi abalada pela falta de sono e não fui capaz de manter o inverno por mais tempo. Essa semana, inevitavelmente, teremos sol.

Convenção do PDT

Nos últimos 2 anos, a prefeitura de Porto Alegre vem se empenhando em transformar meu bairro (a saber, bairro Floresta, de Porto Alegre) em um pequeno pedaço do Iraque. Obras mal organizadas, longas demais e sem nenhum respeito com os moradores ou com o comércio local são as principais causadoras de uma imundisse constante no bairro e de uma crescente onda de assaltos e violência naquela região. Como o nosso bairro não aparece no mapa, a polícia não consegue chegar lá. Pelo menos deve ser essa a razão que fez com que ela não apareceu quando chamamos na vez em que um ladrão invadiu o apartamento da minha namorada pela sacada, e quando havia um tiroteio na frente de um prédio de esquina abandonado que já havia sido invadido duas vezes naquela mesma semana

Não bastasse essa porcaria geral, na segunda-feira desta semana o PDT resolveu fazer mais uma de suas incríveis convenções. Nesta ocasião sei que o melhor seria explodirmos o prédio e nos livrarmos daquele bando de políticos ali reunidos, mas infelizmente, como temos uma ética que eles não têm, nos contentamos com simplesmente fazer um exercício de paciência pra aguentar a baderna que eles fazem nas ruas próximas à sua sede.

No ano passado, eu infelizmente não tive a idéia de tirar uma foto do caos. Mas esse ano…

pdt

Como ano passado quando eles já tinham feito essa porcaria eu já tinha ligado pros nossos utilíssimos azuizinhos e reclamado dos carros estacionados na frente da minha casa, e como a criatura que me atendeu disse que não podia fazer nada, eu não me surpreendi quando meu irmão me mandou a foto acima. Não é difícil de ver a placa de pare virada na direção contrária do veículo estacionado na contra mão, nem o carro da RBS, que acredita que está sempre a serviço da comunidade, estacionado embaixo da placa de proibido estacionar. Pode-se ver pelas placas ignoradas a importância que as leis têm para aqueles cidadão reunidos ali na sede do PDT. Lembrem disso na hora de votar.

Eu sempre adorei meu bairro. Moro na casa que era da minha avó, e onde passei uma boa parte da minha infância. Sempre me orgulhei de morar nessa zona. Infelizmente com tudo que têm acontecido nos últimos tempos, o lugar está virando uma porcaria. Simplesmente não consigo entender como pode ser um lugar tão inseguro que conseguiram roubar os fios de luz em plena Cristóvão Colombo, diante das obras no novo shopping que terá ali.  Claro, eu sei que quando o Shopping estiver pronto a prefeitura lembrará que o bairro existe novamente, e provavelmente volta a cuidar da segurança por ali. Além, é claro, de fazer uma bela baderna no trânsito, como fizeram mais perto da 24 de outubro pra facilitar a vida do Moinhos Shopping.

Pequena reflexão sobre festas que não são eletrônicas…

Ontem eu estava procurando, no google e em alguns sites de torrent, palylists de festas em lugares aleatórios do mundo, para baixar e ver o que anda rolando por aí. Achei que muito provavelmente eu encontraria algumas, de festas boas da europa, e algumas até do Brasil. Não encontrei praticamente porra nenhuma.

As únicas que existem disponíveis são playlists de festas eletrônicas, ou então arquivos enormes em mp3 de todo o set de algum Dj em alguma rave. Rock? Nadinha.

Fiquei ponderando sobre o assunto e tentando achar alguma razão pra isso. Poderia ser por causa de direitos autorais… tá, mas daí poderia se disponibilizar a lista das músicas, sem os arquivos das mesmas. Opção descartada. Poderia ser porque ninguém nunca tinha tido a idéia… não, afinal o pessoal que curte som eletrônico faz isso. Poderia ser um mero ataque de incompetência minha de não encontrar… ok, não descartarei essa. Poderia também ser porque os poucos Dj’s de festas de rock que temos por aqui (estou tratando de Brasil agora, pois simplesmente não entendo por que não fazem isso na europa e nos eua) não querem compartilhar seus preciosos segredos com os outros. Espero, sinceramente que essa não seja a razão.

É fato que temos muito pouca gente colocando som por aqui. Pelo menos em Porto Alegre. Temos várias festas, com nomes diferentes, mesmos Djs e uma mudança não muito grande no repertório. Se for eletrônica então dá pra cantar junto quase do início ao fim da festa. Tá, isso não chega a ser algo tão absurdo, afinal já estamos livres do anos 80 há uns 20 e muitos anos e é mais do que tempo pra decorar essas letras.

De qualquer modo, fico triste de não ter encontrado nenhuma playlist pra dar uma olhada. Compartilhar playlists de festas é legal pra fazer pessoas conhecerem novas bandas, e para Djs aumentarem seus repertórios. É legal também pra tu ter uma idéia melhor de como é tal festa, ou de qual a característica mais marcante de cada Dj.

Se algum dia eu me prestar a organizar uma festa ou colocar som em uma, vou postar aqui meus playlists. Se eu lembrar, é claro.

Dicas Simples Para as Pessoas se Manterem no Seu Lugar

Fui no Open Beco neste sábado. Eu já ando reclamando das festas de Porto Alegre há tempos, mas neste final de semana acabei me lembrando de uma frase que o Diego de Godoy disse há um tempão atrás, quando notamos que as festas estavam ficando mancas: “O problema é que as pessoas que estão vindo são extremamente desinteressantes.”

A causa do problema volta a algo que eu sempre dico e acho até que já escrevi aqui:  somos muito pouco hostís com as pessoas que não deveriam estar em nossas festas. E sim, existem pessoas que não deveriam estar lá. O sentimento de “ah! não é assim!” do portoalegrense é o que faz Porto Alegre ser o lugar mais aniquilador de movimentos culturais do mundo. Vide o Mix Bazar, que era pra ser uma coisa voltada ao público eletrônico, e que em Porto Alegre vende até bijuteria de velha.

Então, para ajudar essas pessoas a entenderem que não são bem vindas, eu farei essa boa ação à vida noturna portoalegrense fazendo uma lista simples de como a pessoa pode saber que ela está culturalmente atrapalhando:

1) Se tu ficou sabendo da festa pela Zero Hora ou pelo Patrola, é porque tu não deveria estar nela mesmo. O grupo RBS é um animal de mau agouro em relação a festas boas, pois faz gente como você (dedo no teu nariz) ficar sabendo de festas que vão estragar quando vocês invadirem;

2) Se tu tem todos os CDs da Beyounce (sei lá como se escreve isso), ou do Eminem, ou adora o Armandinho, então faça-nos o favor de não estragar nossa vida com sua asquerosa presença. Você provavelmente vai estar vestido errado, não conhecerá as músicas, e ocupará um espaço desnecessário na pista de dança;

3) Se tu conheceu Franz Ferdinand ou Coldplay natrilha da novela, e ainda por cima acha super legal que o Papas da Língua vão abrir pro Coldplay, o seu lugar é em casa vendo Zorra Total;

4) Se antes de invadir nossas festas tu combinou de encontrar o resto das patricinhas e mauricinhos no postinho, por favor, permaneça lá. Se possível, beba gasolina e morra;

5) Se tu achar uma baita idéia botar um vestidinho por cima de um legging, dirija-se ao Dado Bier mais próximo;

6) Camisa social e calça branca são sim uma boa opção…  para ficar em casa;

7) Se tu não ficou puto dos cornos quando viu a fila na frente do local, é porque não deveria ter vindo. Inclusive, só tem fila porque pessoas como tu vieram invadir nossa festa. Portanto vai embora e leva a fila contigo;

8) Se tu levar um esbarrão de alguém e teu cérebro peristáltico costuma responder com: “qual é meu?” ou “vai encarar?” vá pra casa abraçar os outros caras da tua turma de Jiu-Jitsu. Talvez bebados as lutas de vocês levem mais tempo e os deixem mais satisfeitos;

9) Se tu ignorou todas as dicas acima, foi na festa, e viu que não conhece nenhuma música, pare de forçar a barra e não apareça mais.

Acho que é isso. Até porque eu também sou portoalegrense e não quero ficar mais ofensivo do que já estou.  Quanto ao pessoal que deveria mesmo estar na festa, por favor, seja hostil com quem não é bem vindo. Fale na cara dele. Ria dele. O ser humano só se comporta como deve através de violência, ou quando se sente um idiota. Portanto…

E Porto Alegre segue lomba abaixo…

Ontem de noite, por volta das oito da noite, um ladrão subiu pela sacada da casa da minha namorada, com ela e a amiga dela que mora junto dentro de casa, roubou dois celulares e se jogou pela janela. Elas chamaram a polícia, que jamais apareceu. Tentei fazer uma denúncia online no site da brigada militar (que é tão manco que não deixa nem tu escolher o ano 2007 na data) e depois de escrever a denúncia detalhadamente e apertar o botãozinho de confirmar, recebi um aviso de página não encontrada.

Quando eu era pequeno aqui em Porto Alegre, um acontecimento como esse era raro. Víamos a polícia nas ruas o tempo todo, até porque eles cuidavam do trânsito, e por isso tinham que ficar circulando.

De uns tempos para cá os governos em geral têm feito muitos esforços para acabar com a segurança no país. Policiais com salários baixos, obrigados a morar na vila em meio aos criminosos; tirada do controle de trânsito da mão da polícia, diminuindo sua verba e tirando os policiais das ruas, para colocar no lugar um bando ne inúteis vestidos de azul que só atrapalham o triansito e que desaparecem depois das 17hs de sexta e só são vistos, tirando em algumas raras blitz, na segunda-feira.

Os azuizinhos são uma das idéias mais idiotas que o governo já teve. Tivessem mantido os policiais no controle do trânsito, e feito todas as outras mudanças no código de trânsito, a diminuição nas infrações e acidentes teria sido ainda maior. Mas o ponto preocupante é que os azuizinhos foram mais uma cagada que aumentou a insegurança da população.

Em um país com tantos advogados é impressionante que tantos criminosos se sintam à vontade para fazer o que aquele cretino fez ontem. Oh! Sim, poderia ser muito pior, mas isso não é motivo pra diminuir a indignação de ninguém. Algo precisa ser feito. Eles precisam ser punidos. E punidos direito. Quem não tem medo de ser punido não tem medo de  cometer um crime. E se a prisão fosse o inferno que dizem, eles não saíam tão fácil e teriam mas medo de voltar.

Se seguíssemos a risca o que é ensinado pelas várias teorias filosóficas em relação à governo e sociedade, está na hora de tomarmos nossa liberdade de volta das mãos do Estado, limpar a bunda com  o contrato social, e começar a nos defendermos nós mesmos. Afinal, aquela vez que queimaram os dois seqüestradores em Minas Gerais, tivemos seis meses sem seqüestros naquele estado.

Uma hora, quando eu estiver um pouco menos furioso, eu escrevo sobre como fomos treinados a nos sentirmos indefesos e a não nos defender, e como isso totalmente absurdo. Mas agora não. Agora só quero arrancar a cabeça daquele pau no cu e colocar no poste da esquina da minha rua.