Tic-Tac Night

Tava eu no caixa do Zaffari ontem, já totalmente conformado pela taínha recheada na grelha ter se transformado em um churrasco, quando olho para a gôndola que fica no caixa e encontro isso:

tictac

Definitivamente o tema do novo milênio só pode ser “putaria afú”. Tudo quanto é festa hoje em dia tem algum tipo de adesivo ou penduricalho que deixa claro que a pessoa está comprometida ou “pra negócio”. E o tic tac se uniu a este propósito agora. Claro, a embalagem é enganosa, afinal o que tem dentro dele são balas verdes e laranjas, e não verdes e vermelhas. Se bem que isso pode ter sido causado apenas pela preocupação da empresa em possibilitar que os daltônicos não sejam esquecidos nesta nova guloseima da pegação.

Levando em conta a alta média de QI da população já consigo imaginar o exército de idiotas tentando realmente fazer isso funcionar em uma festa. Se bem que como o exército de idiotas é formado por ambos os sexos, certamente vai ter gente que vai cair.

Então vi a dica para pelo menos ajudar um pouco a turminha da falta de noção: compra duas embalagens, abre, joga todas as balas em um pote, separa as cores, coloca todas as verdes em uma, todas as laranjas em outra, coloca uma embalagem em cada bolso (e não esquece qual tá em qual) e administra as caixinhas de acordo com as minas que aparecerem pra pegar. Isso certamente não vai funcionar, mas eu me mijaria de rir vendo alguém tentar.

Anti-Justine – Restif de La Bretonne

Li este livro na semana do ano novo. Logo que terminei de lê-lo, eu pensei em escrever sobre ele. Acabei esquecendo e perdido entre os caóticos afazeres da propaganda (na faculdade nos ensinam mais ou menos o que faremos na profissão e ainda não nos contam que teremos que fazer tudo ao mesmo tempo). Depois, já de volta ao trabalho, uma conversa com a Taíse, o Menzes e a Taina – sobre a terrível utilização se breguíssimos termos para substituir os nomes originais das partes íntimas dos seres humanos – me lembrou novamente de escrever sobre o livro.

Finalmente hoje, antes de começar a escrever este post, resolvi ainda dar uma olhada em outras resenhas do livro para ver qual a opinião das outras pessoas sobre ele, e acabei lendo a de uma mulher que tem a opinião exatamente contrária à minha. Vamos então ao livro.

Anti-Justine se propõe a ser um livro sobre os prazeres do amor (mais propriamente dito, do sexo). Se propõe a se opor ao Justine, onde a dor impera. O autor enterra o leitor em uma avalanche de trepadas sem quase nenhum intervalo entre elas. Entendendo que nenhum homem jamais quis deliciar os lábios nas suaves pétalas da flor de alguma mulher, ele esbanja paus, bucetas, cus e todos os outros nomes chulos possíveis. Ele dá nome aos bois sem medo. Ainda usa termos mais arcaicos mas perfeitamente entendíveis para descrever orgasmos. O cara praticamente é um entusiasta do pornô sem história.

Ele tem cenas de suruba, tortura, morte, bondage e muito, muito incesto. Eu, pessoalmente, gosto da maneira que ele dá nome aos bois. Uma coisa é tu romantizar uma trepada que ocorre no meio de um romance, outra coisa é escrever um  livro erótico “tocando o sexo” de alguém. Isso é broxante. Puritanos que se fodam, o livro é definitivamente uma boa putaria.

Não aconselho que seja lido em igrejas, ônibus, ambiente de trabalho, velórios, frentes de colégios e lugares com pessoas demais.  Não apenas porque a capa (mais uma das ótimas capas das novas edições dos livros de bolso da L&PM) é já bem sugestiva, mas porque qualquer pessoa com hormônios e falta de vergonha suficientes terá efeitos colaterais não saciáveis nestes ambientes. Pelo menos não sem voz de prisão.