irracionais em geral

Há pouco menos de 5 anos eu não suportava cachorros. Pra mim eles eram a personificação de todas as características ruins que um ser humano poderia ter. Minha opinião foi mudada pelo cachorro da minha ex, um simpático, histérico e alucinado yorkshire chamado Elvis. Passei a me identificar muito com esta raça (pequeno, sem noção, brabo, possessivo e que ataca seres muito maiores que ele sem a menor noção do perigo).

Então me mudei e fui morar com meu irmão em uma casa certamente grande demais pra dois barbados como nós, mas que é muito afudê e que eu sempre curti muito (quando meus avós moravam nela). Depois que um intrépido ladrãozinho conseguiu a proeza de entrar na casa pela janela do meu quarto (quem conhece a casa sabe que não é lá muito simples) decidimos que precisávamos de um cachorro. “Que tal um labrador?”, sugeriu meu irmão. Argumentei que o ladrão deveria ter medo do cachorro e não vontade de abraça-lo. Como o tio da minha ex tinha um canil de American Stanfordshire Terrier, acabamos comprando um.

Não cortamos nem a orelha nem o rabo do Max. Ele não ficou com a cara de assassino comum à raça, e além disso, surpreendentemente pra nós que sempre achamos que esse tipo de cachorro era meio furioso, ele se mostrou um bagunceiro muito na boa, apenas com pouca consciência da força dele, o que mudou bastante na medida em que foi crescendo.

Quem me conhece sabe que minha preocupação com animais não é a maior do mundo. Não fico triste pelas vacas, galinhas, peixes, coelhos, javalis, e demais criaturas das quais me alimento. Não tenho esperança de salvar o último mico-leão dourado nem uma família de jubartes. Claro, isso talvez se deva porque eu nunca vi uma mobilização nacional para destruir uma espécie que não tem culpa pelo tipo de dono idiota que costuma criá-la ou treiná-la.

Ontem, em mais uma tentativa insana de acabar com pitbulls e derivados, a RBS veiculou uma reportagem totalmente sem-vergonha mostrando um pitbull atacando um vira-lata na rua. Claro que não explicaram como diabos a equipe de TV estava lá desde o início do ataque, ou porque ninguém aproveitou as inúmeras chances de tirar o vira-lata de perto do pitbull, ou como diabos um dos caras que estava “apartando” não foi nem sequer olhado pelo pitbull quando ele puxou o rabo do bicho pra separar a briga. Foi armação, pura e simples. E isso é vergonhoso.

O ser humano passou toda sua história tentando arranjar desculpas e causadores naturais ou sobrenaturais para sua podridão natural. Nega e negará pra sempre que a natureza do ser humano não é boa, e que se diverte com o sofrimento e a vergonha alheias. Sim, fica mais fácil esquecer disso quando se parece com um programa de auditório. Fica mais fácil quando é disfarçado de jogo.

Fato é que destruir uma espécie culpando-a pela insanidade de quem a “educa” é uma coisa absurda. Convencer a população de que isso é aceitável é até mesmo perigoso! Qualquer pessoa mais atormentada por teorias da conspiração não demoraria dois segundos pra ver isso levando ao nazismo.

Não é aceitável culpar animais pela idiotice humana. Tirar o pitbull do lutador de jiu-jitsu não colocará o cérebro de volta na cabeça dele (até porque ele jamais esteve lá). Se não houvesse pitbulls, aquele pai idiota que deixou a filha ao alcance do cachorro (o qual era monstruosamente usado em brigas de cachorro!) deixaria algum outro cachorro. O pai não ficaria menos irresponsável se não existissem pitbull.

Qualquer político estúpido que venha a votar a favor da esterilização dos pitbulls e derivados será obrigado a admitir que deveriam matar o criador do super-homem por crianças que se fantasiam e pulam da janela, que deveriam prender o Oliver Stone pelos arremedos de micky e malory knox que andaram pelos estados unidos depois do filme, e todos estes outros absurdos.
Ok. Cansei. Se alguém tentar capar meu cachorro receberá o mesmo tratamento. Era isso.

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